Entrevista com Maria Inês Bittencourt, psicóloga e professora do Departamento de Psicologia da PUC-Rio.
J.M: Quais a senhora pensa que são as principais causas dos transtornos mentais da “atualidade” (depressão, ansiedade, síndrome do pânico...)?
M.I. : Na época atual, os sintomas de pânico, a ansiedade e a depressão são frequentemente relacionados com as condições de vida em que o individualismo exacerbado coloca as pessoas em situações de desamparo. As relações afetivas são muitas vezes prejudicadas pelas exigências de perfeição e pelo narcisismo . Há uma enorme cobrança em todos os sentidos: sucesso profissional, beleza, juventude, etc. Não há lugar para o erro, as falhas.O surgimento dessas patologias responde ao fracasso na busca destes objetivos quando as pessoas não possuem uma estrutura psíquica mais fortalecida e preparada para a realidade da vida. É significativo também o fato de que na atual cultura do prazer a todo custo, qualquer sentimento de tristeza é nomeado “depressão” e se busca a solução pela medicalização.
J.M: Existe(m) algum(ns) sintoma(s) em comum entre esses transtornos?
M.I: Cada um tem seus sintomas específicos, mas a ansiedade existe em todos eles. Também em comum é o sentimento de vazio, de desamparo e de falta de perspectiva de solução.
J.M: Esses problemas sempre existiram e agora estão tendo mais destaque ou são transtornos recém-descobertos?
M.I: Sempre existiram mas são favorecidos na cultura do individualismo, da imagem, do consumo.
J.M: A senhora acha que as pessoas são bem informadas em relação aos transtornos e conseguem identifica-los como psicológicos ou acha que muitos pensam ser doenças físicas?
M.I: Às vezes precisam de uma ajuda psicoterapeutica para descobrirem que são psicológicos, principalmente no pânico.
J.M: Qual a faixa etária e sexo mais afetados por esses males?
M.I: Afeta igualmente homens e mulheres.
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